“Você poderia me perguntar se a vida do homem melhorou muito com todo esse progresso e eu acho que não.
O homem, mesmo no estado selvagem, tinha de obedecer a algumas leis. Falo isso porque entre os animais mamíferos que vivem em grupos organizados como leões, gorilas e lobos, vemos que seus membros têm de obedecer às leis do grupo. À medida que homem foi se desenvolvendo, foi obrigado mais e mais a abandonar o comportamento selvagem, isto é, não poderia mais seguir seus impulsos naturais, e o conjunto das leis do grupo aumentou. Para viver no grupo todos tinham que se submeter às leis sociais.

No paleolítico um jovem de 12 anos deveria passar por alguns rituais convencionais e depois seria aceito na tribo como adulto, pronto para caçar com os homens e imediatamente era escolhida uma esposa para que ele não desejasse as outras mulheres. Todo jovem tinha um lugar garantido na tribo.

No neolítico as aldeias estavam crescendo com a nova agricultura e pecuária, jovens que se sentissem oprimidos pelos mais velhos podiam se reunir e fundar, mais adiante, uma aldeia nova. Levavam consigo os conhecimentos reunidos nos mitos que seriam transmitidos a seus filhos. Um líder nesta época tinha mais deveres que primazias e as tarefas eram divididas por sexo: os homens caçavam, pescavam, preparavam o campo para o plantio e defendiam a aldeia; as mulheres cozinhavam, plantavam, teciam, faziam a cerâmica, cuidavam dos animais e criavam as crianças. O sentido de propriedade se restringia aos objetos de uso pessoal como roupas, armas e ferramentas. Provavelmente não havia grande diferença de poder entre os membros de uma aldeia.

Com o aparecimento da civilização a comunidade foi dividida em duas classes sociais: o clero, sacerdotes que falavam em nome dos deuses, uma minoria dominante que promovia as melhorias de obras públicas e garantia a segurança da cidade; e o resto, uma legião de artesãos e agricultores trabalhando apenas pela sobrevivência. O trabalhador não era dono nem da terra nem das decisões. O templo decidia o quanto ele ia produzir, como e quando. Os sacerdotes, sim, tinham privilégios e usufruíam dos confortos do recente progresso cultural. Todos precisavam se submeter ao poder central, foi organizado um código rígido de leis sociais. Ao se civilizar o homem teve de abrir mão de sua liberdade. Essa perda da liberdade é importante porque teve muita conseqüência ao longo da história das civilizações até em nossas vidas, hoje.

Acho que todo jovem que chega à adolescência sofre ao descobrir esse fato, se debate, se revolta, poucos conseguem achar uma saída.

Existe uma saída? Existe sim. É a recuperação da liberdade perdida.”

-Assim a humanidade foi dividida em classes sociais!
-Todos perdem a liberdade!
-Todos enquadrados, uns na merda e outros mais confortavelmente.
-Ela diz que tem uma saída …

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