“Não sei se me expliquei bem, mas o que eu quero dizer é que a recuperação da liberdade está no movimento contrário àquele que desde bebê você veio fazendo. Você teve de fazer um grande esforço para sair da posição centrada no “eu” e projetar-se para fora, e agora, daqui de fora você precisará se voltar e fazer o retorno, olhar para dentro de si, lá você encontrará a liberdade e tudo fará sentido. E é naquelas lembranças que ficaram represadas no inconsciente que você precisa ir buscar a saída, lá está a fonte da criatividade. Cada um tem a sua fonte inesgotável.

Cada ser humano nasce com uma facilidade maior para uma determinada função. É o que chamamos de dom ou habilidade. Todos nós podemos contribuir com uma nova criação que pode ser uma música, uma figura, uma invenção, uma receita de comida, uma história, um passo de dança, um chute de bola, uma piada, uma careta, um pensamento, uma teoria, uma opinião. Temos capacidade de modificar o mundo de muitas maneiras, devemos deixar pelo menos uma marca que nos diferencie dos outros, a marca da nossa individualidade. Cada um de nós é parte desse todo, desse universo, uma pequenina parte, uma insignificante parte desse todo imenso. Mas, ao mesmo tempo, cada um de nós é um ser único, diferente de todos os outros, imensamente importante.”

Os três se entreolharam significativamente:

-Com certeza nós vamos deixar nossa marca nesse mundo!
-Com certeza!
-Por falar nisso é melhor eu ir indo porque amanhã preciso acordar cedo, tenho prova de matemática. – falou Arco.
-Eu também preciso estar em casa porque minha mãe ficou de telefonar daqui a pouco.- completou Lia já arrumando as coisas.
-Como está ela?
-Bem melhor. Agora dá para a gente bater longos papos, coisa que não dava antes.
Nesse mesmo instante entrou a mãe de Íris com o arquiteto para mostrar o vazamento e todos debandaram, só se reuniram na tarde seguinte para continuar a ler os cadernos:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *