“A adolescência é o longo período entre a infância e a vida adulta. Novamente o jovem deve ser convencido a fazer a passagem.

A menina tem uma demonstração perceptível e concreta da sua maturidade física, ela começa a menstruar. O menino tem uma gradual mudança de corpo, mas nada tão significativo como a menina. Em todas as sociedades vemos rituais de passagem para convencer os meninos a abandonar a infância e entrar na maturidade, também chamados rituais de iniciação.

Estudos feitos com tribos indígenas de caçadores e coletores da América do Norte, que vivem atualmente em um estágio igual ao paleolítico, mostram que eles usam o seguinte ritual de passagem da infância para a maturidade: o próprio pai leva seu filho de 12 anos a um lugar isolado e lá ele é deixado sozinho, tendo apenas uma fogueira para afastar as feras. Fica jejuando e rezando por 4 dias ou mais até que em seus sonhos apareça um espírito, em forma humana ou animal, para lhe dar poder. Este será seu espírito mestre e dependendo do poder que lhe der, o menino poderá ser um caçador, um guerreiro, ou um curandeiro. Durante o resto da vida ele poderá jejuar quantas vezes ele achar necessário, sempre que desejar alcançar algo. Sua decisão pessoal será sempre respeitada na tribo.
Tribos indígenas da Austrália, também caçadoras, mostram rituais bem diferentes. Nessas tribos os homens vivem em uma casa separada da casa das mulheres e crianças. De quando em quando várias tribos da região se reúnem para realizar um verdadeiro festival de ritos de iniciação dos meninos que estão mudando de corpo, mais ou menos 12 anos. Eles são arrancados das mães que começam uma dança ritual agitando os chocalhos. Para cada um já é escolhida uma esposa, que também está sendo preparada. Cada menino é deixado sozinho na floresta por 3 dias com pouca comida e depois começam as cerimônias que duram perto de uma semana.

São representadas cenas de caça do canguru quando é revelado um grande segredo aos meninos: o animal se entrega de bom grado ao caçador. Outros segredos lhe são revelados, coisas que só os homens podem saber, como : o grande barulho do zunidor é feito por homens fantasiados e não pelo próprio deus, apesar de ter sido ele mesmo quem deu os instrumentos para os antigos habitantes da tribo. No último dia os meninos são circuncisados a sangue frio pelos pais. A glande é libertada do prepúcio que representa a proteção da mãe. Os meninos acabam de passar por um segundo nascimento, agora, pelo pai. Desse dia em diante o menino passa a morar com os homens, ele já é um adulto, e já existe uma esposa escolhida para ele. A pequena organização social, conhecendo e temendo o tremendo vigor do adolescente, refreia e direciona as forças juvenis para o bem da comunidade, enquadrando-o dentro das leis. Neste caso não é respeitada a vontade pessoal da criança, já existe um lugar certo para ela ocupar na pequena sociedade tribal.

Num mundo já civilizado, em Atenas, os meninos eram educados pela mãe até os 7 anos, em casa. Depois, de 7 a 14 anos, freqüentavam a escola. Dos 14 aos 21 anos recebiam sua formação cívica e militar com um homem maduro e é quando passavam por ritos iniciáticos que lhes conferiam o direito de participar da vida política e religiosa da cidade. Por serem rituais secretos sabe-se pouco sobre quais as provas por que passavam os efebos, como eram chamados os adolescentes em formação. O que podemos deduzir é o que aparece nos mitos dos heróis. Percebe-se que havia o corte do cabelo, a mudança de nome, mergulho no mar, passagem pelo fogo, penetração num labirinto, descida ao Hades, androginismo e um casamento ritual”.

-Nós não temos nenhum ritual. Minha mãe espera de mim um comportamento de mulher e meu pai me considera um menininha boba e irresponsável. Nem eu sei bem o que sou. – desabafou Lia.
-Eu também passo por isso, minha avó ainda acha que eu quero ir à Disney e meu pai acha que eu tenho estrutura para almoçar com ele e a amante. – concordou Íris.
-Minha avó conta histórias do tempo em que os meninos usavam calças curtas e quando recebiam autorização para usarem calças compridas todo mundo ficava sabendo que eles não eram mais crianças. – contou Arco.
-E também tinha um baile para apresentar a moça à sociedade! Com permissão para usar maquiagem e salto alto. Agora as garotinhas de cinco anos já se vestem como a Xuxa.
-Não existe mais diferença por idade na roupa nem no comportamento. Não existe nada para ajudar.
-Outro dia na televisão ouvi um homem dizendo que os garotos de hoje se reúnem em gangues e criam as próprias provas de coragem para se convencerem de que não são mais crianças.
-Todo mundo se sente perdido!

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